Na maioria das transportadoras com frotas de grande porte, a borracharia e a oficina mecânica operam sob o mesmo teto. Em um cenário ideal, elas se complementam, mas o problema é quando elas não necessariamente operam sob a mesma programação.
A manutenção preventiva geral tem seu cronograma: revisões por quilometragem, troca de óleo, alinhamento, balanceamento. A borracharia, por sua vez, responde à demanda do dia: furo, troca, reclamação de motorista.
Entre esses dois mundos existem tarefas de pneus que acabam não entrando em nenhum dos cronogramas, como inspeção de sulcos, controle de calibragem, programação de rodízio e avaliação de carcaças para recapagem.
Essas são atividades que precisam de frequência própria, mas que em muitas operações simplesmente não estão agendadas em lugar nenhum.
O resultado disso? Os cenários podem variar entre veículos que param para manutenção preventiva e voltam para a rota sem que ninguém tenha olhado os pneus, ou a borracharia atendendo às demandas sem prioridade enquanto um precisava de urgência antes de sair para a próxima rota.
No fundo, é uma questão de organização da borracharia interna da transportadora e de como ela se conecta com o restante da operação.
A seguir, confira:
- Diferenças entre o cronograma de manutenção geral e o de manutenção de pneus
- Custos envolvidos na falta de comunicação entre borracharia e oficina
- Como construir a integração na prática
Diferenças entre o cronograma de manutenção geral e o de manutenção de pneus
A manutenção preventiva de caminhão da frota segue intervalos baseados em quilometragem ou tempo: a cada 10.000 km, a cada 30.000 km, a cada 6 meses.
Dentro desse cronograma, entram itens que focam no veículo como um todo, mesmo que algumas atividades se relacionem aos pneus (como o alinhamento e balanceamento).
A manutenção de pneus tem outra lógica. Cada ação tem o seu próprio tempo, a calibragem precisa de frequência própria (semanal ou quinzenal, dependendo da operação), enquanto a inspeção de sulcos tem intervalo de 15 a 30 dias.
Já a avaliação de carcaça para recapagem depende do ciclo de vida individual de cada pneu, não do plano de manutenção do caminhão.
Na prática, o que acontece é que as tarefas de pneus que coincidem com a manutenção geral (alinhamento, balanceamento) são executadas e as que não coincidem acabam ficando sem dono.
Esse “intervalo” entre os dois cronogramas gera paradas não planejadas de caminhão relacionadas a pneus. O veículo não parou porque faltou manutenção, mas porque o cronograma de manutenção de pneus não estava integrado à programação da frota.
Custos envolvidos na falta de comunicação entre borracharia e oficina
Sem integração entre borracharia e oficina da frota, dois tipos de custo aparecem:
O primeiro é o mais visível, o custo da parada não planejada. O veículo que sai para a rota e volta antes do previsto (ou não chega ao destino) por problema de pneu que poderia ter sido identificado antes.
A parada não planejada custa caro não só pelo reparo em si, mas pelo frete que não acontece, pela reorganização logística e pela urgência de atendimento.
O segundo é menos óbvio: o custo da parada planejada mal aproveitada. O veículo entra na oficina para manutenção preventiva, fica parado por horas ou dias, e sai sem que a borracharia tenha aproveitado a janela para fazer inspeção, calibragem e/ou rodízio.
A oportunidade de atender o pneu sem gerar parada adicional foi desperdiçada e semanas depois, o mesmo veículo precisa parar de novo, dessa vez exclusivamente para a borracharia.
Nos dois casos, a causa é a mesma: a borracharia não sabia que o veículo estaria disponível, ou a oficina não sabia que o pneu precisava de atenção. A informação existia em algum lugar (no sistema, na cabeça do borracheiro, na ficha do veículo) mas não chegou a quem precisava no momento certo.
Como construir a integração na prática
A integração entre borracharia e programação da frota não acontece instalando um sistema ou criando uma planilha. Ela acontece quando quatro condições estão atendidas:
Passo 1: tenha um plano de manutenção preventiva que funciona de verdade
Antes de integrar a borracharia a qualquer coisa, o plano de manutenção preventiva geral precisa existir e funcionar. Isso significa: cronograma definido por veículo, intervalos respeitados, responsáveis claros e registro de cada atendimento.
Se a manutenção preventiva geral ainda é informal ou inconstante, não há base para integrar. A borracharia precisa de uma programação para se conectar e essa programação é o plano preventivo.
Parece básico, mas é o passo que muitas operações tentam pular. Sem um planejamento da frota bem definido, não há base para integrar.
Passo 2: crie um plano de manutenção preventiva dos pneus
Com o cronograma geral funcionando, o segundo passo é estruturar a gestão de pneus da frota com um cronograma próprio. Ele deve incluir:
- frequência de calibragem (semanal ou quinzenal, conforme a operação e/ou veículo);
- frequência de inspeção de sulcos e condição visual;
- programação de rodízio por padrão de desgaste;
- avaliação de carcaças e encaminhamento para recapagem;
- vistoria periódica de estepes e estoque.
Esse cronograma é a agenda da borracharia e precisa conversar com o cronograma geral da frota. Isso significa que quando um veículo entra no plano preventivo da oficina, a borracharia sabe e agenda suas tarefas para a mesma janela. O veículo para uma vez e sai com tudo resolvido.
Passo 3: utilize um sistema que facilite a troca de informações entre setores
A integração manual (planilha, quadro, conversa entre encarregados) funciona até certo ponto, mas depende de disciplina individual e não escala.
Em frotas com dezenas de veículos e atendimentos diários, a quantidade de informações que precisa circular entre borracharia e oficina é grande demais para depender de comunicação informal.
Um sistema de gestão de manutenção, por exemplo, que centraliza as informações do veículo, com o histórico de manutenção, e um sistema ou módulo de pneus que registre e guarde o status dos pneus, as inspeções pendentes e a programação de ambos os setores, reduz a dependência de pessoas para que a informação chegue no lugar certo.
A borracharia vê o que a oficina programou, a oficina vê o que a borracharia identificou e o gestor da frota vê o panorama completo.
Isso não significa que qualquer sistema resolve. O sistema precisa conversar com a realidade operacional: ser acessível na ponta (celular do borracheiro, terminal da oficina, etc.), registrar dados sem burocracia excessiva e gerar visibilidade para quem toma decisão.
Passo 4: garanta que todos os envolvidos estejam usando as ferramentas disponíveis
O melhor sistema não funciona se a equipe não usa. E “não usar” não significa recusar a ferramenta, significa usá-la parcialmente, preencher só quando cobrado ou registrar com atraso.
A adoção real depende de três coisas: a equipe entender o porquê (não só o como), o processo ser simples o suficiente para caber na rotina e o gestor acompanhar de perto nos primeiros meses.
Se o borracheiro registra a inspeção, mas o mecânico não consulta antes de liberar o veículo, a integração existe no sistema mas não na prática. Se a oficina agenda a preventiva, mas não sinaliza para a borracharia, a janela de atendimento se perde.
A integração da borracharia interna com a frota não é um projeto que se implementa uma vez. É um hábito que se constrói e que precisa de acompanhamento até virar rotina. Quando vira, o resultado aparece com menos paradas, melhor aproveitamento das janelas de manutenção e mais disponibilidade da frota.
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