Diesel sobe mais de 7% em uma semana: como o conflito no Irã afeta o frete no Brasil

Guerra no Oriente Médio já pressiona o diesel no Brasil. Veja o que está acontecendo e o que está sob controle da sua operação.
Conflito no Oriente Médio pressiona preços dos combustíveis no Brasil.

Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro de 2026, provocaram uma escalada imediata no preço do petróleo e já afetam diretamente o custo do diesel no Brasil.

O barril do tipo Brent, que na véspera do conflito era cotado a US$72,48, chegou a ultrapassar US$120 em 9 de março, em uma alta superior a 60% em menos de duas semanas.

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, como retaliação aos ataques, agravou o cenário. A rota é uma das mais críticas do comércio global de energia: por ela passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, algo em torno de 20% do consumo mundial.

Com o tráfego de petroleiros reduzido em cerca de 70% e mais de 150 navios ancorados fora do estreito para evitar riscos, a oferta global de petróleo sofreu um choque que os mercados precificaram de forma quase instantânea.

O reflexo no Brasil

No Brasil, os efeitos já chegaram às distribuidoras e aos postos. Segundo dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log, o diesel S10 subiu 7,7% na primeira semana de março, passando de R$6,09 para R$6,70 por litro na média nacional. Em alguns estados, como Bahia e Paraná, distribuidoras repassaram aumentos de até R$0,80 por litro.

A NTC&Logística emitiu comunicado alertando que o impacto acumulado no diesel já supera 10% somente em 2026, considerando também o aumento do ICMS que entrou em vigor em janeiro.

Para o transporte rodoviário de cargas, o diesel representa cerca de 35% do custo do frete. Qualquer variação relevante no combustível pressiona diretamente a margem das transportadoras e, por consequência, o custo de toda a cadeia logística.

Dependência de importação e defasagem

O problema ganha dimensão adicional pela dependência brasileira de diesel importado. O país importa entre 25% e 30% do diesel consumido internamente, o que torna o mercado nacional diretamente vulnerável às oscilações internacionais.

Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), o diesel vendido no Brasil já apresenta defasagem estimada de 64% em relação ao valor praticado no mercado externo, o que aumenta a pressão para novos reajustes caso o conflito se prolongue.

A Petrobras informou que não anunciou reajustes até o momento e que acompanha o cenário diariamente. No entanto, analistas avaliam que a capacidade de segurar os preços tem limite: se o petróleo permanecer em patamares elevados por mais tempo, o repasse ao consumidor se torna inevitável, seja via refinarias da própria estatal, seja via importadores e distribuidoras independentes que já operam com preços de mercado.

O que isso significa para a sua frota

A duração do conflito e o destino do Estreito de Ormuz são as variáveis centrais que não estão no controle do gestor de frota. E não há dúvidas: o cenário é de incerteza.

Esse momento exige acompanhamento diário dos preços de diesel, revisão de contratos de frete com cláusulas de reajuste, onde possível, e atenção redobrada à gestão de abastecimento

Isso é o que realmente está no controle das operações de transporte rodoviário: a gestão das frotas. Não tem como reduzir o uso de diesel, mas dá para absorver esse impacto controlando os abastecimentos e consumo de combustível dos veículos, a fim de evitar fraudes, uso de diesel adulterado e consumo excessivo.

O aumento de consumo inclusive, pode estar relacionado à problemas de manutenção veicular, desgaste ou calibragem inadequada dos pneus e também ao comportamento dos motoristas na direção. Se você gerenciar todas essas áreas, o impacto dos aumentos no diesel não vai deixar de existir, mas serão menores e melhor absorvidos em sua operação.

Quer acompanhar conteúdos como este e outras análises sobre custos no transporte de cargas? Assine a newsletter da Prolog.

Autor

Jean Zart

Co-fundador e CEO da Prolog, possui mais de 10 anos de experiência no mundo do transporte e logística, tendo atuado nas áreas de análise de gestão e processos. Desde 2016, se dedica à Prolog, motivado a gerar inovação tecnológica e otimização na gestão de frotas.

Leia também

Que tal receber conteúdos incríveis como estes e totalmente de graça?

Inscreva-se e receba as melhores dicas e novidades para melhorar os seus resultados e de sua operação na gestão de sua frota.

Conheça a tecnologia que está transformando a gestão de frotas de mais de 900 operações no Brasil e no mundo.

O conteúdo que você já gosta e acompanha sobre o universo da gestão de frotas também está em vídeos publicados semanalmente e lives exclusivas com convidados.

O conteúdo que você já gosta e acompanha sobre o universo da gestão de frotas também está em vídeos publicados semanalmente e lives exclusivas com convidados.