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Tecnologia e eficiência logística

Logtech: o que é e o que entrega às frotas

Jade Zart Jade Zart 6 min de leitura
Logtech: o que é e o que entrega às frotas

A inovação em logística chega à maior parte das frotas brasileiras pela mão das logtechs e de suas soluções tecnológicas.

Por isso, o webinar feito em parceria entre a Fretefy e a Prolog, duas logtechs brasileiras, teve como tema elas mesmas: as logtechs.

Jean Zart, cofundador e CEO na Prolog, e Adriano Guardiano, especialista em produto na Fretefy, foram os dois convidados responsáveis por levantar os pontos da pauta. O webinar é de 2021, e as falas reproduzidas aqui são o que cada um deles afirmou naquele momento.

Tudo começou com uma pergunta simples:

O que é uma logtech?

Logtech é a startup que aplica tecnologia a um problema específico de logística — do frete ao pneu, do armazém à roteirização. Se você acompanha o mundo das startups, percebe haver diversos nichos: fintechs, edtechs, foodtechs, legaltechs, e assim por diante. As logtechs são apenas mais um grupo bem nichado entre todos esses, com foco em soluções logísticas.

Outro ponto levantado por Jean foi o das soluções ERP (Enterprise Resource Planning): um sistema completo de gestão para a empresa inteira, e não para segmentos específicos do processo logístico.

O que o CEO da Prolog falou é que é muito difícil um produto ERP atender à necessidade de cada parte da operação com a mesma profundidade. É daí que nasce a dor em determinados pontos da operação de transportes — justamente os pontos que uma logtech costuma escolher para atacar.

Inclusive, ele colocou a Prolog como exemplo, já que a solução da empresa atendia pneus. Hoje a plataforma reúne três módulos — gestão de pneus, checklist eletrônico e gestão de manutenção —, e a base de todos eles continua sendo o registro feito dentro da própria operação: a inspeção do pneu, o checklist do veículo, a ordem de serviço da oficina.

Já a Fretefy tem foco em gerenciar fretes. O software dessa logtech gerencia fretes, frotas e monitora toda a operação. É uma frente diferente da que a Prolog cobre, e um bom retrato de como duas logtechs podem conviver na mesma frota sem disputar o mesmo espaço.

De maneira resumida, a resposta é: as logtechs são empresas com soluções e inovação em logística. Seja para a cadeia de suprimentos, armazenagem, combustível ou roteirização.

Como uma logtech beneficia o mercado?

O segundo grande ponto abordado pelos especialistas foi este: o que as empresas de transporte ganham com a aquisição das soluções fornecidas pelas logtechs?

Na visão de Jean, a redução de custos é o principal deles. Pelas plataformas e pela tecnologia que entrega, a logtech consegue ajudar o operador logístico a reduzir os custos das operações.

Usando a solução da Prolog como exemplo: a partir das inspeções, o sistema de gestão de pneus reúne os dados e calcula o CPK — o custo por quilômetro — de cada pneu, e também o CPK de cada marca e modelo. Assim, o gestor tem em mãos uma informação muito valiosa: o pneu com melhor custo-benefício da frota.

Claro, a melhor marca e o melhor modelo podem variar de acordo com o veículo, as condições da estrada e o tipo de carga, entre outros fatores. É justamente por isso que a conta precisa sair do histórico da frota, e não de uma média de mercado — e é aí que o software de gestão de pneus é tão importante.

Além disso, o sistema ajuda a entender a pressão ideal que se deve usar, acompanhando o desgaste a cada inspeção e ajudando a prolongar a vida útil dos pneus, o que também contribui para a segurança na estrada.

Adriano, da Fretefy, ressaltou a importância da automatização de processos e da tomada de decisão rápida que acontece em decorrência das soluções de logtechs. Algo que torna a empresa mais competitiva e gera valor aos clientes finais.

Para ambos, a base de dados criada por cada solução é, igualmente, extremamente valiosa. E existe a parte facilitadora de qualquer ferramenta disponibilizada por uma logtech: a API, cuja função é tornar tudo integrável com outros sistemas.

Portanto, mesmo se a empresa já possui um ERP, ela pode integrar outras soluções em vez de trocar tudo de uma vez. É o caminho que a própria Prolog segue, com APIs abertas para integração com qualquer ERP, sistema de gestão ou ferramenta de BI da operação.

Quais os principais desafios de uma logtech?

Para quem está do lado de oferecer as soluções, como logtech, o grande desafio apontado foi o conservadorismo das empresas. Muitas ainda não acreditavam na tecnologia, as diretorias demoravam muito para analisar o produto e não colocavam a adoção dessas soluções como prioridade.

Ainda mais, Jean destacou o quanto “é difícil colocar um profissional de logística numa sala do zoom para apresentar a solução e mostrar como pode ajudar ele no dia a dia”. Os líderes dessas empresas estavam acostumados com o contato presencial, e quebrar essa barreira para criar confiança em uma equipe logtech apenas via internet podia ser bem complicado.

O gestor do Prolog também comentou as burocracias dentro das empresas e disse haver um ciclo de adoção da gestão de pneus do Prolog que chegou a levar 6 meses. Tempo em que a ferramenta já poderia estar sendo usada no dia a dia da empresa, reduzindo custos e otimizando as operações.

Um fato interessante que Adriano trouxe é que, entre os 100 países que trabalham com modelo de transporte parecido ao do Brasil, o nosso país estava em 56. Ou seja, longe de estar entre os países mais inovadores. O número foi apresentado por ele no webinar e não veio acompanhado da fonte do ranking, então vale como a fotografia que estava sobre a mesa em 2021 — não como a posição do Brasil hoje.

Para ele, o maior desafio é vender conhecimento e inovação: fazer com que o olhar para a tecnologia seja objetivo, simples e fácil. Na avaliação dele, na época era o contrário — havia muita resistência e demora de retorno.

O que fazer em relação a isso?

Como foi frisado na conversa, a logística vivia um momento de inovação. Um cenário disruptivo, de quebra de paradigma e de cultura.

É preciso transformar a visão de inovação dentro das empresas. Afinal, são elas as maiores interessadas nisso: querem eficiência e produtividade.

Para os dois convidados, esses profissionais de logística têm que parar de “aceitar” que as coisas são como são. Jean ainda finalizou o assunto falando:

“Se está descontente com processo manual e resultados, tem que procurar soluções. E se não tiver uma solução, é oportunidade de criar uma ferramenta.”

Como a pandemia impulsionou o negócio das logtechs?

O webinar foi finalizado com essa questão.

E a conclusão?

Para os dois convidados, as empresas tiveram que mudar seu mindset. Quem ainda não tinha processos inovadores percebeu o quanto estava atrasado e, na leitura deles, quem não investiu em novas tecnologias não sobreviveu.

Anos depois, a pergunta que abriu a conversa continua sendo a primeira que um gestor de frota precisa fazer antes de contratar qualquer fornecedor: essa logtech resolve um pedaço real da minha operação ou só promete resolver? A resposta costuma aparecer no dado que a operação consegue registrar todo dia — e em quem se dispõe a integrá-lo ao que a empresa já usa.

Assista à conversa completa no canal da Fretefy e já aproveite para se inscrever no canal do Prolog App também!

Perguntas frequentes

O que é uma logtech?

É a startup que aplica tecnologia a uma dor específica da logística, seja na cadeia de suprimentos, armazenagem, combustível ou roteirização. A diferença em relação a um ERP está no foco: o ERP é um sistema de gestão para a empresa inteira, e dificilmente um produto assim atende cada etapa da operação com igual profundidade. É justamente nesses pontos da operação de transportes que uma logtech costuma escolher atuar.

O que uma empresa de transporte ganha com uma logtech?

Na visão de Jean Zart, CEO da Prolog, a redução de custos é o principal ganho. Um sistema de gestão de pneus, por exemplo, reúne os dados das inspeções e calcula o CPK — custo por quilômetro — de cada pneu, marca e modelo, apontando qual pneu rende melhor pelo que custa na frota. Adriano Guardiano, da Fretefy, destacou a automatização de processos e a tomada de decisão rápida. Para ambos, a base de dados criada é igualmente valiosa.

Quais são os principais desafios de uma logtech?

O grande desafio apontado no webinar foi o conservadorismo: havia empresas que ainda não acreditavam na tecnologia, diretorias lentas para analisar o produto e adoção fora da lista de prioridades. Líderes acostumados ao contato presencial dificultavam criar confiança só pela internet, e a burocracia interna fez um ciclo de adoção chegar a levar 6 meses. Para Adriano Guardiano, o desafio maior está em vender inovação e conhecimento de um jeito objetivo, simples e fácil.

Uma logtech substitui o ERP da empresa?

Não precisa substituir. As ferramentas das logtechs têm API, e a função dela é permitir a integração com os demais sistemas. Assim, quem já tem um ERP consegue acoplar outras soluções sem precisar trocar tudo de uma só vez. A Prolog, por exemplo, segue esse caminho e mantém APIs abertas para se integrar ao ERP, ao sistema de gestão ou à ferramenta de BI que a operação já usa.

Como a pandemia impulsionou as logtechs?

Para os dois convidados do webinar, as empresas foram obrigadas a mudar de mentalidade: quem não tinha processos inovadores descobriu o tamanho do próprio atraso e, na leitura deles, quem deixou de investir em novas tecnologias não sobreviveu. A logística vivia um momento de ruptura, com quebra de paradigma e de cultura, e os profissionais precisavam deixar de aceitar as coisas como são — quem está descontente com processo manual e resultados deve procurar soluções.

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