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Gestão de frotas

Redução de acidentes na frota: riscos e como agir

Jade Zart Jade Zart 10 min de leitura
Redução de acidentes na frota: riscos e como agir

A redução de acidentes na frota é um objetivo essencial para as empresas que buscam ter maior segurança nas operações de transporte. Além disso, preservar a integridade dos motoristas e veículos deve ser uma das principais preocupações dos gestores de frota.

Todas as ações voltadas para diminuir os acidentes envolvendo seus ativos levam a menores prejuízos e gastos, como os de manutenção e aquisição de veículos.

É verdade que os riscos na estrada são diversos, podendo ser culpa do motorista da sua operação quando há comportamentos inadequados ou de risco. Porém, muitos acidentes também acontecem devido a fatores como as condições desfavoráveis das vias brasileiras ou condições climáticas imprevistas.

Um aviso de expectativa antes de seguir: não existe medida isolada que elimine acidentes, e desconfie de qualquer promessa de percentual garantido de redução. O que a gestão consegue fazer é atacar causas conhecidas, uma a uma, e acompanhar se a frequência e a gravidade caem ao longo do tempo na sua própria operação.

Para conseguir reduzir os acidentes na sua frota, você deve adotar medidas mais estratégicas. Confira a seguir:

Importância da segurança na frota

A segurança na gestão de frotas é um aspecto bastante importante, pois trata não apenas dos riscos de acidentes na estrada. Outros tipos de ameaças também são consideradas, como o desvio de combustível, extravio de cargas, roubo de dados e assim por diante.

Investir em segurança e ter um plano para contenção de riscos é uma prática proativa. Quando os colaboradores estão treinados e aptos a encarar situações adversas, tende a diminuir tanto o número de ocorrências quanto a gravidade das consequências.

Além do mais, quando você mostra a preocupação e engajamento em oferecer maior segurança na sua operação, também é uma maneira de reforçar o comprometimento dos motoristas com suas responsabilidades.

De maneira geral, fortalecer a segurança na frota e promover a redução de acidentes é parte do que contribui para o sucesso e sustentabilidade de uma empresa.

Vale lembrar que o custo de um acidente raramente se resume ao conserto. Entram na conta o veículo parado, a carga comprometida, o prazo perdido com o cliente, o afastamento do motorista e o tempo da equipe dedicado a apurar o ocorrido. Colocar essas parcelas no papel costuma ser o argumento que destrava orçamento para prevenção.

Quais são os riscos na estrada?

Excesso de velocidade

Dirigir acima do limite permitido de velocidade, principalmente em rodovias, é um fator que aumenta consideravelmente o risco de acidentes. Isso porque o tempo de reação do motorista é reduzido, assim como o veículo fica mais difícil de ser controlado quando está em alta velocidade.

Em veículos pesados e carregados, o mesmo excesso tende a ter consequência mais severa. Na gestão, o ponto de partida costuma ser o mais simples: as multas por velocidade que a frota já recebeu apontam trechos, horários e condutores que merecem conversa antes de virarem ocorrência mais grave.

Condições climáticas

Chuvas, ventos e neblina podem levar a situações adversas em rota, como derrapagens, aquaplanagem e tombamento, no caso de veículos pesados. Em certas regiões, onde há estradas de chão, também há riscos maiores de um veículo ficar atolado, caso não esteja com os pneus adequados para a realização da rota.

Por isso, um trabalho completo de roteirização e preparação dos veículos é fundamental, além de indicar as ações de segurança que o motorista deve praticar nestes casos.

Também ajuda combinar antecipadamente o que fazer quando o tempo fecha: qual é o critério para reduzir a velocidade, quando parar em local seguro e quem o motorista aciona para reprogramar a entrega. Regra combinada antes reduz a chance de o condutor ter de decidir isso sozinho, sob pressão de prazo.

Falhas mecânicas nos veículos

Quando não há uma rotina de manutenção adequada na frota, as falhas mecânicas se tornam frequentes. Nesses casos, as aberturas de chamado em rota também aumentam, já que mais imprevistos acontecem na rodagem dos veículos.

Problemas simples de resolver, como o desgaste dos freios e pneus desgastados, passam despercebidos por não serem revisados com a regularidade correta.

No caso dos pneus há um critério objetivo, que dispensa avaliação subjetiva no pátio: a Resolução CONTRAN nº 913, de 28 de março de 2022, proíbe, no art. 4º, "a circulação de veículo automotor equipado com pneu cujo desgaste da banda de rodagem tenha atingido os indicadores, ou cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm". A resolução ainda registra que a profundidade remanescente é constatada visualmente por meio dos indicadores de desgaste. Transformar essa verificação em item de checklist de saída, com o resultado registrado, ajuda a substituir o "achamos que está bom" por um critério que a operação consegue auditar depois.

Fadiga e sono ao volante

O sono ao volante é um fator muito comum de acontecer, ainda mais para caminhoneiros que realizam longas jornadas diárias, em viagens de longa distância. É importante que os motoristas tenham o tempo de descanso adequado e façam suas paradas no tempo correto.

Esse "tempo correto" não é apenas recomendação de boa prática. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece, no art. 67-C, com a redação dada pela Lei nº 13.103/2015, que "é vedado ao motorista profissional dirigir por mais de 5 (cinco) horas e meia ininterruptas veículos de transporte rodoviário coletivo de passageiros ou de transporte rodoviário de cargas". As regras de intervalo e de descanso do mesmo artigo têm redação própria, e o texto compilado no Planalto registra remissão à ADI 5322 quanto ao § 3º — ou seja, a política interna de jornada precisa ser fechada sobre a redação vigente e com apoio jurídico, não a partir de um resumo.

Dirigir com fadiga acarreta em menor concentração e atrapalha a reação do motorista na condução do veículo. Além de gerar um risco de acidente, também pode levar o colaborador a fazer uso de substâncias ilegais para se manter acordado.

Do lado da gestão, o fator que mais alimenta fadiga costuma estar antes da estrada: janela de entrega apertada, espera prolongada para carregar e descarregar, e programação que só fecha se tudo der certo. Rever a promessa de prazo é, muitas vezes, medida de segurança tanto quanto treinamento.

Desrespeito às leis de trânsito

Questões como ultrapassagem arriscada, estacionamento em local proibido, passar direto em faixas de pedestres e sinais amarelo ou vermelho são ações que estão descritas na legislação de trânsito brasileira, mas são comumente desrespeitadas.

Além de aumentar os riscos de acidente, são atitudes passíveis de multas. As condutas e as respectivas penalidades estão tipificadas no próprio Código de Trânsito Brasileiro, cujo texto compilado é atualizado no portal do Planalto — vale conferir ali a redação vigente antes de fixar política de consequências na empresa, porque a gradação das infrações e das penalidades já foi alterada por leis posteriores.

Na frota, as autuações recebidas são uma das fontes de diagnóstico mais baratas disponíveis: elas chegam datadas, localizadas e associadas a um veículo. Tratá-las como informação de segurança, e não apenas como despesa a repassar, muda o que a operação consegue prevenir.

Confira no vídeo as estratégias para reduzir os acidentes na sua frota:

Como reduzir acidentes na frota?

Conhecer e gerenciar os riscos

O primeiro passo para a redução de acidentes é conhecer os riscos de uma operação de transporte. Acima, comentamos alguns dos principais, mas você deve identificar também como a sua frota funciona, os caminhos que toma e quais riscos particulares está sujeita a passar.

Além disso, busque dados sobre os acidentes sofridos pela sua frota e sobre o comportamento dos motoristas. Avalie quantos acidentes cada um teve, quais veículos mais passaram por esse tipo de situação e a evolução ou redução de acidentes ao longo do tempo.

Com base nessa análise, você pode desenvolver uma estratégia efetiva de prevenção.

Para não tratar tudo com o mesmo peso, ajuda cruzar três dimensões em cada risco levantado:

  • Frequência: quantas vezes aquilo aconteceu no período que você está analisando.
  • Gravidade: qual foi a pior consequência já observada, e não a consequência média.
  • Exposição: quantos veículos, rotas e motoristas estão sujeitos àquele risco hoje.

Risco raro e grave costuma pedir uma barreira; risco frequente e leve, um ajuste de processo. Um período curto de dados serve para começar, desde que você não tire conclusão definitiva de poucas ocorrências.

Identificar a causa de acidentes

Além de saber quantos acidentes ocorreram, é preciso identificar os motivos para isso. Mesmo os acidentes causados por fatores externos, como as condições climáticas, podem ser abordados com uma solução plausível, como a otimização de rotas ou ajuste no horário de partida.

Portanto, entenda plenamente o que está gerando acidentes na sua frota e faça o levantamento de possibilidades que podem ser consideradas e aplicadas para evitar futuros incidentes.

Uma cautela útil nessa etapa: raramente há causa única. Parar na primeira explicação — em geral a mais próxima do motorista — costuma deixar de fora o que estava atrás dela, como o pneu que já estava fora de critério, a rota mal dimensionada ou o prazo que só fechava correndo. Registrar mais de uma causa por ocorrência ajuda a evitar que a investigação vire busca por culpado.

Levantar as possibilidades de melhorias

Quando você estiver fazendo esse levantamento, tente detalhar o máximo possível.

Identifique qual é a ação de melhoria proposta, o porque ela está sendo sugerida, como será implementada, qual será o custo dessa ação, quais ferramentas serão necessárias, quem é responsável por aplicá-la na operação e como serão medidos os resultados.

Se encontrar outras informações importantes, faça também a inclusão no seu planejamento de redução de acidentes.

Na hora de priorizar, ações que dependem de decisão da própria empresa — critério de checklist, revisão de janela de entrega, regra de parada — costumam sair do papel antes das que dependem de investimento ou de terceiros. Começar por elas dá resultado observável enquanto as demais amadurecem.

Implementar uma cultura de segurança

A cultura na empresa ajuda a garantir que todos os colaboradores, independente de seu nível hierárquico na operação, se sintam parte e responsáveis por algo e, nesse caso, é a redução de acidentes.

Todos devem entender a importância da segurança no trânsito e quais práticas podem realizar para que o objetivo máximo seja atingido.

O teste prático de que a cultura existe é simples: um motorista consegue relatar um quase acidente, ou recusar uma saída por condição insegura do veículo, sem receio de prejuízo? Se a resposta for não, a operação vai continuar descobrindo os problemas apenas depois que eles viram ocorrência.

Reconhecer as diferentes responsabilidades do gestor e motorista

Na mesma ideia de implementar uma cultura e garantir a participação de todos os perfis da frota, reconhecer os diferentes papéis e responsabilidades é fundamental para que haja maior colaboração entre todos os envolvidos.

Enquanto o gestor precisa ter preocupações com treinamentos, políticas de segurança, implementação de ferramentas e rotinas adequadas, o motorista deve participar das ações promovidas e adotar a condução defensiva quando estiver em operação.

Deixar essa divisão escrita ajuda a evitar a discussão que aparece depois de cada ocorrência. Quem decide se o veículo sai com uma pendência aberta, quem autoriza extrapolar uma janela de entrega e quem responde por reprovação em checklist são perguntas que precisam de resposta antes, não durante a apuração.

Gestão de motoristas

A gestão de motoristas acontece por meio de planilhas e sistemas, reunindo as informações que ajudam a entender como estão as práticas deles em rota e avaliar periodicamente o seu desempenho individual.

Na prática, as fontes mais acessíveis são documentais e já existem na operação: autuações de trânsito, checklists de saída preenchidos, ordens de serviço e apontamentos de oficina, registros de ocorrências e de sinistros, além do histórico de treinamentos. Consolidadas por motorista e por período, elas dão um retrato suficiente para conversar sobre desempenho sem depender de impressão pessoal.

Mais importante que controlar as suas ações e mostrar como você está fazendo isso, é gerar incentivos e até promover programas de motivação aos motoristas. Assim, é mais fácil ter a colaboração e evitar a rotatividade desses profissionais na sua empresa.

Comece conhecendo e utilizando nossa planilha gratuita para gestão de motoristas: faça o download e comece a usar.

Perguntas frequentes

Quais são os principais riscos de acidentes na estrada?

Excesso de velocidade, que reduz o tempo de reação e o controle do veículo, com consequência mais severa em veículos pesados carregados; condições climáticas como chuva, vento e neblina, que podem causar derrapagem, aquaplanagem e tombamento; falhas mecânicas por falta de rotina de manutenção, como freios e pneus desgastados; fadiga e sono ao volante em jornadas longas; e desrespeito às leis de trânsito, como ultrapassagens arriscadas e avanço de sinal. Vias em condição ruim também pesam.

Como reduzir acidentes na frota?

Conhecendo e gerenciando os riscos da operação com dados de ocorrências por motorista e por veículo; identificando as causas, sem parar na primeira explicação; levantando melhorias detalhadas, com justificativa, custo, ferramentas, responsável e forma de medir; implementando uma cultura de segurança em que todos se sintam responsáveis; deixando por escrito as responsabilidades de gestor e motorista; e fazendo a gestão de motoristas com avaliação periódica e incentivos. Ações que dependem só da empresa costumam sair do papel primeiro.

Quanto tempo um motorista profissional pode dirigir sem parar?

O art. 67-C do Código de Trânsito Brasileiro, na redação da Lei nº 13.103/2015, proíbe que o motorista profissional conduza por mais de 5 horas e meia sem interrupção veículos de transporte rodoviário de cargas ou coletivo de passageiros. As regras de intervalo e descanso, no mesmo artigo, têm texto próprio, e a versão compilada no Planalto remete à ADI 5322 quanto ao § 3º, por isso a política interna de jornada deve se basear na redação vigente, com apoio jurídico.

Qual o limite de desgaste do pneu para o veículo circular?

A Resolução CONTRAN nº 913/2022 (art. 4º) proíbe circular com pneu cujo desgaste da banda chegou aos indicadores ou cuja profundidade remanescente é menor que 1,6 mm. A constatação é visual, pelos indicadores de desgaste. Levar essa verificação para o checklist de saída, com o resultado registrado, troca a impressão de que "está bom" por um critério auditável mais tarde, sem avaliação subjetiva no pátio.

Como priorizar os riscos levantados na frota?

Cruzando três dimensões para cada risco: frequência, ou quantas vezes aquilo ocorreu no período analisado; gravidade, considerando a pior consequência já vista, não a média; e exposição, ou quantos veículos, rotas e motoristas estão sujeitos a ele hoje. Para risco raro e grave, costuma caber uma barreira; para o frequente e leve, um ajuste de processo. Dá para começar com um período curto de dados, desde que não se tire conclusão definitiva de poucas ocorrências.

Como fazer a gestão de motoristas para prevenir acidentes?

Reunindo, em planilhas ou sistemas, informações que a operação já tem: checklists de saída preenchidos, autuações de trânsito, ordens de serviço, apontamentos de oficina, registros de sinistros e ocorrências e histórico de treinamentos. Consolidadas por motorista e período, elas permitem avaliar o desempenho individual sem depender de impressões pessoais. Mais importante do que controlar é gerar incentivos e programas de motivação, o que facilita a colaboração e reduz a rotatividade.

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