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Sustentabilidade no transporte

Porque você já deveria estar aplicando ESG no transporte de cargas

Jade Zart Jade Zart 10 min de leitura
Porque você já deveria estar aplicando ESG no transporte de cargas

O setor de transporte rodoviário de cargas responde por cerca de 65% de toda a movimentação de mercadorias no Brasil. Esse peso econômico tem um custo ambiental e social que crescentes regulações, clientes e investidores já não estão dispostos a ignorar.

Principalmente quando se trata de veículos pesados, o ESG tem sido uma das principais medidas para adequar as frotas às ações sustentáveis.

Essa sigla (ESG), que retrata as palavras “Ambiental”, “Social” e “Governança”, representa um conjunto de práticas e ações que visam transformar a rotina da empresa para que seja uma organização administrativa, social e ambientalmente responsável.

Confira a seguir:

O que é ESG no transporte?

Esse termo surgiu em 2004 (publicação do Pacto Global e Banco Mundial) e “ESG” é uma sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança.

No contexto do transporte rodoviário de cargas, o conceito se refere ao conjunto de práticas que orientam a gestão da operação com critérios que vão além do resultado financeiro imediato.

Na prática, ESG no transporte significa responder a três perguntas ao mesmo tempo:

  • Ambiental: qual é o impacto da minha frota no meio ambiente? Estou controlando emissões, descarte de pneus e consumo de combustível?
  • Social: como trato meus motoristas e colaboradores? Respeito jornadas, ofereço condições dignas, monitoro comportamentos de risco?
  • Governança: meus processos são organizados, rastreáveis e transparentes? Tenho políticas claras de frota, controle de multas, documentação em dia?

O que diferencia o ESG de uma lista de boas práticas é a intenção de tornar esses critérios mensuráveis e contínuos, não apenas ações pontuais de fim de ano. Com essa abordagem, é possível compreender o nível de sustentabilidade da empresa e o potencial que ela tem para melhorias e investimentos.

Quais são os 4 pilares do ESG?

Embora a sigla ESG seja formada por três letras, muitos especialistas e organizações já trabalham com quatro pilares, incluindo o econômico-financeiro como dimensão autônoma. Entender essa divisão ajuda a estruturar melhor a implementação dentro de uma transportadora.

1 – Ambiental (E)

É o pilar mais visível e, no transporte, o mais regulado. Esse pilar diz respeito às questões da empresa que podem impactar o meio ambiente direta ou indiretamente, como a emissão de CO₂ e outros gases poluentes pelos veículos e o consumo de combustível.

No transporte, ainda, o descarte de pneus e resíduos é uma das principais preocupações. Assim como a manutenção preventiva que reduz falhas em rota (e o risco de contaminação de solo e água em casos de tombamento com carga perigosa), e a renovação gradual da frota com veículos mais eficientes ou movidos a combustíveis alternativos.

2 – Social (S)

A parte social do ESG trata, principalmente, da gestão de equipe e pessoas. Tudo o que for relacionado ao bem estar dos funcionários da frota está dentro desse pilar. 

No transporte, isso começa pelo motorista: controle de jornada, condições de trabalho, treinamentos para direção segura e econômica, monitoramento de comportamentos de risco em rota.

Mas vai além, incluindo a relação com fornecedores, a diversidade no quadro de colaboradores e o impacto das operações nas comunidades atravessadas pelas rotas.

3 – Governança (G)

O pilar da governança compreende a etapa administrativa de uma empresa, ou seja, tudo o que for relacionado à organização interna de processos e finanças. A governança é o que dá sustentação aos outros dois pilares: sem processos organizados, as ações ambientais e sociais ficam dispersas e são difíceis de provar.

Isso inclui medidas como uma política de frotas documentada, controle de multas, gestão de salários e benefícios, processos auditáveis, registros de manutenção e inspeções acessíveis e rastreáveis.

4 – Econômico-financeiro

Incorporado por frameworks mais recentes, esse pilar reconhece que sustentabilidade sem viabilidade financeira não se sustenta. Engloba a gestão eficiente de custos operacionais, o controle do CPK (custo por quilômetro), a análise do retorno de investimentos em tecnologia e a capacidade da empresa de se manter competitiva a longo prazo.

No transporte, ele está diretamente conectado ao ambiental: reduzir consumo de combustível e aumentar a vida útil dos pneus é sustentabilidade e economia ao mesmo tempo.

Por que praticar ESG na gestão de frotas?

A resposta mais direta: porque os benefícios são concretos e mensuráveis, não apenas reputacionais.

Redução de custos operacionais

Manutenção preventiva, controle do consumo de combustível e aumento da vida útil dos pneus são práticas ESG e são também as principais alavancas de redução de custo em uma frota. A lógica é a mesma: cuidar bem do ativo reduz o desperdício.

Acesso a crédito e financiamento verde

Bancos e fundos de investimento já aplicam filtros ESG na concessão de crédito para o setor de transporte. Empresas com práticas documentadas têm acesso a linhas com condições mais favoráveis.

Competitividade em contratos

Embarcadores dos segmentos de varejo, alimentos e químicos estão incluindo critérios ESG em seus processos de homologação de transportadoras. Quem não atende começa a perder espaço.

Atração e retenção de motoristas

O setor enfrenta escassez crônica de motoristas qualificados. Empresas com melhores condições de trabalho, programas de treinamento e respeito à jornada têm taxas de rotatividade menores, o que também reduz custos com recrutamento e treinamento.

Gestão de riscos

Acidentes em rota, vazamentos de carga, irregularidades trabalhistas e descarte inadequado de resíduos geram passivos financeiros e legais. O ESG, quando bem implementado, é um sistema de prevenção desses riscos.

Promover um mundo mais sustentável

Quando aplicada às frotas, a sustentabilidade pode ajudar a reduzir as emissões de gases do efeito estufa, diminuir o consumo de combustíveis fósseis e contribuir para a preservação dos recursos naturais. 

Isso pode ser feito usando veículos mais eficientes e menos poluentes, implementando  políticas de redução do consumo de combustível e utilizando fontes renováveis de energia na rotina da operação.

Contribuir para a redução da exploração de recursos naturais

A gestão sustentável das frotas, através de práticas ESG, também pode contribuir para a redução da exploração de recursos naturais. Isso porque a adoção de veículos menos poluentes pode reduzir a demanda por combustíveis fósseis, que são recursos finitos e não renováveis.

Além disso, a prática de manutenção preventiva aumenta a vida útil dos veículos, reduzindo a necessidade de renovar a frota e, consequentemente, a demanda por novos recursos.

Outro fator que é impactado pela rotina de prevenção é a redução de acidentes em rota e tombamento de caminhão. Ambas situações que poderiam contaminar solos e água de regiões importantes com produtos perigosos ou químicos.

Gerenciar as frotas com mais eficiência

A ESG também pode ajudar a gerenciar as frotas com mais eficiência. Isso pode ser feito por meio da adoção de tecnologias de monitoramento e gestão de frota, que permitem o acompanhamento em tempo real do desempenho dos veículos e a identificação de oportunidades de otimização. 

Além desse, outros tipos de sistemas, como o de gestão de pneus e de manutenção são fundamentais para a visibilidade e gerenciamento correto de cada setor das operações de transporte.

Por exemplo, todas as soluções Prolog contribuem para as práticas ESG em uma frota de veículos.

Reduzir os impactos ambientais e desastres naturais

A gestão adequada dos resíduos gerados pela frota e a implementação de medidas de prevenção de acidentes e desastres naturais são fundamentais para uma empresa ser considerada ESG. 

Essas mesmas práticas ajudam também a identificar oportunidades de redução do consumo de energia e água, o que pode levar a uma redução dos custos operacionais — outro grande benefício para a sua operação!

Promover a diversidade e inclusão nas frotas

No cenário atual, o transporte é composto em maior parte por homens. Por isso, a estratégia ESG também pode ser utilizada para promover a diversidade e inclusão nas frotas.

Isso pode acontecer por meio da adoção de políticas de igualdade de oportunidades, da promoção da diversidade de gênero, raça e orientação sexual, e da implementação de medidas para garantir a inclusão de pessoas com deficiência. 

A diversidade e inclusão podem trazer benefícios para a empresa, como a melhoria da criatividade e inovação.

O que é o Ciclo ESG da ANTT?

O Ciclo ESG é o programa oficial da Agência Nacional de Transportes Terrestres voltado para o segmento de transporte rodoviário de cargas. Lançado em 2022, o programa reconhece transportadoras que adotam práticas alinhadas aos critérios ambientais, sociais e de governança por meio do Selo ESG para Transporte Rodoviário.

A adesão ao programa é voluntária e aberta a transportadoras registradas na ANTT. Para obter o selo, as empresas passam por uma avaliação baseada em indicadores estruturados pela própria agência, que considera aspectos como:

  • Regularidade documental e conformidade com normas do setor;
  • Condições de trabalho dos motoristas e índices de acidentes;
  • Adoção de práticas que reduzam o impacto ambiental das operações;
  • Transparência na gestão e governança corporativa.

O selo funciona como um diferencial competitivo reconhecível no mercado, especialmente em processos de habilitação junto a embarcadores e clientes de grande porte que já exigem critérios ESG de seus fornecedores logísticos.

Para acompanhar os critérios atualizados e o processo de inscrição, a referência oficial é o portal da ANTT.

Como implementar ESG no transporte de cargas?

Algumas ações sustentáveis na frota, como a renovação de veículos, utilização de sistemas tecnológicos, treinamentos de motoristas e manutenções preventivas dos veículos já devem fazer parte da sua rotina e podem ser encaixadas dentro de cada um desses pilares. O desafio é organizar, documentar e medir:

Pilar Ambiental: o que colocar em prática

AçãoComo começaIndicador
Controle de consumo de combustívelGestão de abastecimento por veículoLitros/km por placa
Aumento da vida útil dos pneusGestão de pressão, sulco e rodízioCPK (custo por quilômetro) de pneus
Manutenção preventiva em diaPlano de manutenção com ordens de serviçoÍndice de corretivas vs. preventivas
Descarte correto de pneusParceria com ecopontos certificadosVolume descartado/documentado por período
Redução de emissõesTelemetria e treinamento de direção econômicaConsumo médio da frota

Pilar Social: o que colocar em prática

AçãoComo começaIndicador
Controle de jornada dos motoristasRegistro digital de jornadaHoras extras / infrações de jornada
Treinamento de direção seguraProgramas regulares de capacitaçãoNº de treinamentos por motorista/ano
Monitoramento de comportamentos de riscoChecklist eletrônico pré-viagem + telemetriaEventos de risco por motorista
Diversidade e inclusãoPolítica interna documentada% de diversidade no quadro

Pilar de Governança: o que colocar em prática

AçãoComo começaIndicador
Política de frotas documentadaDocumento formal com regras de usoExistência e atualização do documento
Controle de multasRegistro por placa e por motoristaCusto total de multas / mês
Gestão de manutenção rastreávelSistema com histórico por veículoTempo médio de resolução de OS
Inspeções pré-viagem registradasChecklist eletrônico com evidências% de checklists realizados por viagem
Relatórios de gestão periódicosDashboards com KPIs da operaçãoFrequência de revisão dos indicadores

ESG na frota e as soluções de gestão: onde se conectam

Boa parte do que o ESG exige da sua operação já existe dentro das ferramentas de gestão de frota. O que falta, em geral, é o registro estruturado e o acompanhamento contínuo desses dados.

A Gestão de Pneus da Prolog, por exemplo, controla pressão, sulco, rodízio e vida útil de cada pneu da frota, gerando os dados que alimentam o CPK e o indicador de descarte.

O Checklist Eletrônico garante que as inspeções pré-viagem sejam feitas, registradas e auditáveis, o que corresponde diretamente ao pilar de governança e segurança dos motoristas.

Já a Gestão de Manutenção organiza a abertura de ordens de serviço, acompanha o histórico de cada veículo e permite a análise da proporção preventiva vs. corretiva.

Quando esses dados estão integrados, a transportadora passa de uma operação que “faz ESG” de forma intuitiva para uma que consegue provar o que faz com números, para clientes, embarcadores e financiadores.

O ESG no transporte de cargas não é mais uma pauta do futuro e já está determinando quem consegue contratos, crédito e motoristas no presente.

E a boa notícia para quem opera frota com responsabilidade é que grande parte das práticas exigidas não parte do zero: começa com o que já existe na operação, organizado de forma rastreável e medido com consistência.

Comece agora implementando as ações acima e, para identificar quais outras melhorias sua gestão de frotas precisa, faça o diagnóstico gratuito da Prolog. Acesse e responda às questões para receber um plano de ação completo.

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