Governança de pneus: como estruturar políticas e responsabilidades em frotas 100+

Sua frota tem gestão de pneus, mas tem governança? Veja como definir políticas, responsabilidades e auditorias.
Política, alçada e auditoria: os pilares da governança de pneus em frotas.

Gestão de pneus e governança de pneus não são a mesma coisa.

A gestão cuida do dia a dia: aferição, rodízio, recapagem, controle de estoque, análise de CPK. Enquanto isso, a governança cuida das regras do jogo: quem decide o quê, com base em qual critério, seguindo qual política e respondendo a quem.

Em frotas menores, essa separação nem sempre é necessária. O gestor concentra as duas funções e consegue manter o controle.

A partir de 50 ou mais veículos? Aí já são milhares de pneus ativos, múltiplos borracheiros, diferentes filiais e um volume alto de movimentações por mês. Ou seja, a ausência de governança começa a cobrar seu preço em perda de ativos, decisões inconsistentes e falta de rastreabilidade.

Confira agora:

Por que governança de pneus é diferente de gestão de pneus

A gestão de pneus responde ao “como”: como aferir, como controlar o estoque, como calcular CPK, como decidir entre recapar ou descartar. É operacional e tática.

Enquanto isso, a governança responde ao “quem”, “quando” e “sob quais regras”: quem autoriza uma compra de pneus acima de determinado valor, quando o inventário é auditado, sob quais critérios um pneu é descartado, quem é responsável por analisar os indicadores e com que frequência.

Uma operação pode ter uma boa gestão de pneus, com sistema rodando, aferições em dia e CPK calculado, e ainda assim ter uma governança frágil.

Isso acontece quando as decisões dependem de quem está disponível naquele momento, quando não existe um critério documentado para descarte, quando compras são feitas sem comparação de desempenho entre marcas ou quando o borracheiro decide sozinho o destino de uma carcaça.

Principalmente em frotas com mais de 100 veículos, onde o volume de pneus em circulação pode passar de mil unidades, a governança é o que garante que a gestão funcione de forma padronizada, auditável e escalável e não apenas na filial que tem o melhor supervisor.

Os sinais de que falta governança na sua operação

Nem sempre a ausência de governança aparece como um problema explícito. Ela se manifesta em padrões que, individualmente, parecem situações pontuais, mas que, somados, revelam uma operação sem critério uniforme:

Pneus sendo descartados sem laudo ou critério documentado

Se o motivo do descarte não é registrado de forma padronizada, a operação perde a capacidade de analisar por que está perdendo ativos. Por consequência, sem essa análise, não há como agir sobre as causas.

Compras de pneus sem comparação de CPK entre marcas

Quando a decisão de compra é baseada apenas no preço unitário, sem considerar o desempenho histórico de cada marca na operação, a escolha mais barata na entrada pode ser a mais cara no ciclo completo.

Ou seja, a governança define que toda aquisição acima de determinado volume deve ser precedida por análise de CPK.

Ninguém sabe dizer quantos pneus a frota tem em estoque neste momento

Se a resposta depende de ir até o almoxarifado contar, o controle de inventário não está funcionando. Em frotas grandes, a divergência entre o que o sistema mostra e o que existe fisicamente é um dos sinais mais claros de que falta governança sobre as movimentações.

Borracheiro decide sozinho quando trocar, recapar ou descartar

O borracheiro é quem está na ponta e seu conhecimento é fundamental. Mas quando a decisão sobre o destino de um ativo de alto valor depende exclusivamente do julgamento individual de quem está no pátio (sem alçada definida, sem critério documentado e sem validação) abre-se espaço para inconsistências e, em casos extremos, para desvios.

Divergência entre o que o sistema mostra e o que tem no pátio

Quando o inventário digital não bate com a realidade física, o problema geralmente não é do sistema. É de processo: movimentações não registradas, descartes sem baixa, pneus que saíram para recapagem e não tiveram retorno documentado.

Portanto, a governança atua garantindo que cada movimentação seja rastreada.

Os pilares de uma governança de pneus estruturada

Estruturar a governança de pneus não exige criar uma burocracia paralela. Exige definir regras claras, atribuir responsabilidades e criar mecanismos de verificação. Por isso, cinco pilares cobrem o essencial: 

1 – Política de pneus documentada

Este é o documento que formaliza as regras da operação: critérios de compra, parâmetros de descarte, frequência de aferição, regras de rodízio, processos de recapagem, procedimentos de estoque.

A política de gestão de pneus não precisa ser extensa, mas precisa existir, ser acessível e ser seguida. Sem ela, cada pessoa na cadeia opera com sua própria interpretação do que é correto.

2 – Alçadas de decisão definidas

Quem autoriza a compra de um lote de pneus novos? E aprova o descarte de uma carcaça com valor residual? Quem valida o envio para recapagem quando a carcaça está no limite? 

Definir alçadas é garantir que decisões com impacto financeiro ou operacional passem pelo nível adequado de análise. Nem tudo precisa subir para o gestor, mas o gestor precisa saber o que está sendo decidido na ponta e sob quais critérios.

3 – Responsabilidades por função

O borracheiro afere, registra e executa movimentações. Já o gestor de pneus analisa indicadores, define planos de rodízio e orienta compras. Além disso, o gestor de frota valida decisões estratégicas e acompanha resultados.

Assim, quando cada função sabe exatamente o que se espera dela e o que não é sua alçada, o processo flui com mais consistência.

4 – Auditoria periódica de inventário

A auditoria é o mecanismo que valida se os processos estão sendo cumpridos e se os dados do sistema refletem a realidade. Desse modo, as auditorias trimestrais de estoque (confrontando o inventário físico com o sistema) são uma prática recomendada.

Além disso, a auditoria pode incluir amostragem de processos: verificar se as aferições estão sendo feitas na frequência definida, se os descartes têm laudo registrado e se as recapagens estão dentro dos critérios.

5 – Indicadores com dono

CPK, taxa de recapagem, índice de descarte prematuro, custo total com pneus… Esses indicadores só geram valor se alguém é responsável por acompanhá-los, analisar desvios e propor ações. Sem dono, o indicador é número no dashboard ao invés de uma ferramenta de gestão.

Governança e ESG: a conexão que já existe

Quando se fala em ESG no contexto de frotas, a maioria dos gestores e empresas pensa primeiro no pilar ambiental, que inclui consumo de combustível, emissões, descarte de resíduos e logística reversa.

É um ponto de partida válido e importante, mas que representa apenas um terço da equação. Os pilares social e de governança costumam receber menos atenção, mesmo sendo igualmente relevantes.

O social envolve segurança da operação, condições de trabalho e impacto nas comunidades por onde a frota circula. Enquanto isso, a governança diz respeito a como as decisões são tomadas, por quem, com base em quais critérios e com qual nível de rastreabilidade.

Tudo o que foi abordado neste texto, de políticas documentadas, alçadas definidas, auditorias periódicas e indicadores com dono, são práticas de governança corporativa aplicadas a um ativo operacional.

Dessa forma, não é um conceito abstrato, é a estrutura que organiza, direciona e torna estratégica a tomada de decisão sobre um dos maiores centros de custo da frota.

Além disso, a governança de pneus também alimenta o pilar ambiental com dados concretos. Descartes documentados com motivo e destinação rastreável, controle de recapagens que prolongam o ciclo de vida do ativo, redução de perdas prematuras, tudo isso gera indicadores que comprovam práticas de sustentabilidade na operação.

Em resumo, para frotas que já reportam indicadores de ESG (ou que precisarão fazê-lo em breve) a governança de pneus é um ponto de partida tangível, com processos documentados, decisões auditáveis e dados que sustentam o discurso com evidência.

Adiante, continue entendendo como estruturar as práticas ESG em sua gestão de frotas rodoviárias baixando nosso material gratuito.

Autor

Diego Paludo

Especialista em pneus, com mais de 27 anos de experiência no setor, e hoje ministra treinamentos, palestras e consultorias. Além disso, conduz eventos em todo o Brasil, mostrando como as empresas podem alavancar os resultados através de uma gestão de pneus econômica e eficiente.

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O conteúdo que você já gosta e acompanha sobre o universo da gestão de frotas também está em vídeos publicados semanalmente e lives exclusivas com convidados.

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