Quando um pneu perde vida útil antes do tempo, a investigação geralmente começa pelo produto: marca ruim, lote com defeito, fornecedor que entregou abaixo do padrão. Mas em muitas operações, o problema não está no pneu, está no que acontece com ele dentro da borracharia.
Sem um processo padronizado de entrada, execução e saída dos serviços, a borracharia interna opera na base da experiência individual. A calibragem é feita, mas não é registrada, ou o rodízio acontece, mas ninguém sabe qual pneu estava em qual posição antes.
Falando assim, essas ações nem parecem ser um problema, porém, quando somadas e regulares, comprometem a rastreabilidade dos pneus, geram retrabalho e tornam a gestão de manutenção e pneus refém da memória de quem estava no turno.
Uma ferramenta simples pode resolver a falta de padrão: o checklist. Confira a seguir:
- Por que a borracharia interna precisa de checklists próprios
- Checklist de entrada do veículo na borracharia
- Checklist de execução dos serviços
- Checklist de saída e liberação do veículo
- Checklist periódico de inspeção programada da frota
- O papel do checklist eletrônico nessa rotina
Por que a borracharia interna precisa de checklists próprios
Existe uma diferença importante entre a inspeção que o motorista faz antes de rodar e o controle que a borracharia precisa fazer.
O motorista verifica se o pneu está visivelmente em condições de rodar. A borracharia precisa ir além: avaliar a condição técnica, executar os serviços com padrão e garantir a rastreabilidade de tudo que foi feito.
São responsabilidades diferentes, com níveis de detalhe diferentes. E quando a borracharia não tem seus próprios checklists de pneus, três coisas acontecem com frequência:
- Perda de rastreabilidade: sem registro padronizado, não é possível reconstruir o histórico de um pneu (como quantas vezes foi calibrado, quando foi rodado e quem fez o último reparo) e, se o pneu falha prematuramente, não há como identificar a causa.
- Retrabalho: sem checklist de saída, veículos são liberados com calibragem incorreta, pneus com dano não identificado ou posições trocadas. O problema volta em dias e gera um novo atendimento e parada do veículo que poderia ter sido (facilmente) evitado.
- Perda de padrão: cada borracheiro opera com seus próprios critérios e isso funciona enquanto o profissional está lá. Quando ele sai, troca de turno ou é substituído, o conhecimento vai junto porque nunca foi documentado.
Checklist de entrada do veículo na borracharia
Todo atendimento na borracharia deveria começar com um registro de entrada. Parece óbvio, mas em muitas operações o veículo chega, o borracheiro já vai direto para o serviço e nenhuma informação é registrada antes da intervenção.
O checklist de entrada serve para documentar a condição do veículo no momento em que ele entra na borracharia, antes de qualquer serviço ser executado. Isso cria a linha de base que permite comparar o antes e o depois.
O que registrar na entrada:
- identificação do veículo (placa, frota) e quilometragem atual.
- motivo do atendimento: programado (inspeção, rodízio, calibragem de rotina) ou corretivo (furo, dano, solicitação do motorista);
- condição visual de cada pneu por posição e eixo;
- pressão aferida antes da intervenção;
- profundidade dos sulcos (medição com calibrador);
- Identificação de danos visíveis: cortes, bolhas, objetos alojados, desgaste irregular;
- número de fogo e/ou DOT de cada pneu.
Esse registro é o ponto de partida de qualquer gestão de pneus com a intenção de gerar resultados melhores à operação. Sem ele, o que acontece dentro da borracharia não tem referência e o que acontece depois não tem explicação.
Checklist de execução dos serviços
A borracharia interna de uma transportadora executa um conjunto de serviços que se repetem diariamente. Cada um deles deveria ter um procedimento operacional padronizado (POP) e um checklist que garanta que o procedimento foi seguido.
Os principais serviços e o que cada checklist deve cobrir:
Calibragem:
- Pressão aferida com pneu frio (ou com correção de temperatura documentada);
- valor de referência por posição e eixo conforme especificação do fabricante/operação;
- registro da pressão encontrada e da pressão ajustada;
- verificação do estado da válvula.
Inspeção de sulcos:
- Medição da profundidade em pelo menos três pontos do pneu (centro e laterais);
- registro do desgaste por posição para identificar padrões (desgaste centralizado, lateral, irregular);
- comparação com limite mínimo definido pela operação.
Rodízio:
- Posição de origem e posição de destino de cada pneu movimentado;
- motivo do rodízio (desgaste irregular, equalização, preventivo programado);
- atualização do registro de posição no sistema.
Montagem e desmontagem:
- Inspeção do aro e componentes antes da montagem;
- verificação do torque de aperto conforme especificação;
- registro do pneu montado com número de fogo e posição.
Reparo de furos:
- Avaliação da viabilidade do reparo (localização e extensão do dano);
- tipo de reparo realizado (manchão, plug, reparo a frio/quente);
- registro fotográfico quando aplicável;
- critério de descarte quando o reparo não é recomendado.
Descarte e envio para recapagem:
- Avaliação da carcaça conforme critérios definidos (condição do talão, presença de danos estruturais, idade do pneu);
- classificação: descarte definitivo ou envio para recapadora;
- registro da baixa no sistema com motivo.
É importante lembrar que padronizar esses procedimentos não elimina a experiência do borracheiro, apenas a complementa. O profissional deve continuar tomando decisões técnicas, mas agora dentro de um padrão que garante consistência independente de quem esteja executando.
Checklist de saída e liberação do veículo
A liberação do veículo é o momento em que a borracharia “assina” a qualidade do serviço. Se o checklist de entrada documenta como o veículo chegou, o de saída documenta como ele está saindo e sob responsabilidade de quem.
O que confirmar antes de liberar:
- pressão final de todos os pneus aferida e registrada;
- profundidade de sulcos atualizada no registro;
- identificação de cada pneu (número de fogo) conferida e atualizada no sistema, especialmente se houve movimentação;
- serviço executado registrado com data, quilometragem, tipo de serviço e responsável técnico;
- ausência de danos não tratados ou pendências de serviço.
Esse checklist parece simples, mas é o que mais falha na prática. A pressão do fluxo operacional (veículo precisa sair logo, motorista esperando, próximo atendimento na fila) faz com que a saída seja o momento em que mais se pula etapas. E é exatamente por isso que um checklist pronto e padronizado é fundamental: para funcionar mesmo sob pressão.
Checklist periódico de inspeção programada da frota
Os checklists anteriores dependem de o veículo entrar na borracharia por algum motivo. A inspeção programada é diferente: ela acontece por calendário, independente de o veículo apresentar problema.
Essa rotina de inspeção programada busca o que o motorista não percebeu e o que o atendimento corretivo não capturou. Ela deve cobrir:
- aferição completa de pressão e sulcos de todos os pneus do veículo, incluindo estepes;
- verificação de desgaste irregular que indique problemas de alinhamento, balanceamento ou suspensão;
- conferência do estoque de pneus em uso (montados) vs. registrado no sistema;
- verificação de estepes quanto à condição de uso e pressão;
- controle do estoque de pneus em espera (novos, recapados e carcaças aguardando destino).
A frequência recomendada depende da operação, mas uma referência comum é inspecionar 20% da frota por semana. Isso significa que, em cinco semanas, todos os veículos passaram pela inspeção ao menos uma vez. Para frotas com rodagem intensa, intervalos mais curtos podem ser necessários.
A inspeção programada também é a oportunidade de atualizar a base de dados: corrigir divergências entre o sistema e o que está montado, identificar pneus sem registro e garantir que o inventário físico esteja alinhado com o digital.
O papel do checklist eletrônico nessa rotina
Tudo o que foi descrito até aqui pode ser feito no papel. A questão é: no papel, escala? Com 5 veículos, um formulário impresso e disciplina resolvem. Com 50 ou 100, o volume de registros torna o controle manual inviável.
O checklist eletrônico resolve isso ao digitalizar a coleta na origem. O borracheiro preenche no celular, os dados sobem para o sistema automaticamente, anomalias geram alertas ou ordens de serviço e o gestor acessa relatórios consolidados sem precisar transcrever nenhuma ficha.
Além da escala, o formato eletrônico traz padronização forçada (campos obrigatórios que não permitem pular etapas), registro com data, hora e responsável (rastreabilidade automática) e integração com o sistema de gestão de pneus (o dado da inspeção alimenta o CPK, o histórico do pneu e o controle de estoque).
Checklists estruturados para cada etapa do atendimento são o mínimo necessário para que o controle deixe de depender de pessoas e passe a depender de processo.
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