Muitos gestores de frota acompanham seus indicadores de pneus e fazem bases comparativas com os próprios dados. Mas, sem uma referência externa, não têm como saber se os números estão bons, medianos ou ruins.
Um CPK de R$0,04 é aceitável ou é sinal de que a operação está perdendo dinheiro? Uma taxa de descarte prematuro de 12% é normal ou está três vezes acima do que frotas bem geridas conseguem?
Benchmarks ajudam a responder essas perguntas, sendo ótimas referências de médias de um mercado semelhante ao seu. Porém, vale o lembrete: eles não são metas para você incluir imediatamente na sua gestão.
Ainda é preciso considerar as particularidades da frota que influenciam diretamente nos indicadores. Então, use os números de benchmark para entender onde a sua operação está posicionada e analise suas particularidades para entender onde pode de fato buscar as melhorias.
Confira agora:
- Por que comparar com o mercado importa
- Os indicadores que servem de régua
- Onde buscar referências de mercado
- Como fazer o autodiagnóstico da sua operação
Por que comparar com o mercado importa
Se você acredita que tem bons indicadores, isso geralmente é um bom sinal. Mas o que parece normal dentro da sua operação pode estar longe do que outras frotas com perfil semelhante já conseguem.
Uma taxa de descarte prematuro, por exemplo, tende a ser significativamente menor em operações que utilizam um sistema de gestão de pneus do que naquelas que ainda operam sem essa tecnologia.
Por isso, vale entender o que as operações com melhores médias fazem de diferente e avaliar se as particularidades da sua frota justificam a distância ou se há espaço real de melhoria.
De maneira geral, um benchmark cumpre três funções práticas:
- Calibra expectativas: mostra se o que a operação entrega está dentro de uma faixa razoável ou se há espaço significativo de melhoria.
- Justifica investimento: quando o gestor consegue demonstrar que seus indicadores estão abaixo da média do mercado, fica mais fácil aprovar projetos de melhoria junto à diretoria.
- Direciona esforço: em vez de tentar melhorar tudo ao mesmo tempo, o benchmark aponta onde a distância entre a operação e a referência é maior e é ali que o retorno tende a ser mais rápido.
Os indicadores que servem de régua
Cinco indicadores de desempenho na gestão de pneus funcionam como base de comparação para qualquer frota rodoviária de cargas. Cada um mede uma dimensão diferente da operação:
CPK (custo por quilômetro rodado por pneu)
É o indicador mais completo da gestão de pneus. Ele consolida o investimento total em cada pneu (compra, recapagens e serviços) dividido pela quilometragem efetivamente rodada. Permite comparar marcas, modelos, posições e perfis de rota com objetividade.
Taxa de recapagem
Mede o percentual de pneus da operação que são aproveitados para uma segunda ou terceira vida. Quanto maior a taxa, melhor o aproveitamento das carcaças, o que impacta diretamente o custo de aquisição de pneus novos.
Índice de descarte prematuro
Aponta quantos pneus saem da operação antes de cumprir a vida útil esperada. É o indicador que revela perdas evitáveis e cada ponto percentual a mais representa dinheiro que saiu pela porta da borracharia sem necessidade.
Custo de pneus como percentual do custo operacional total
Esse indicador posiciona o peso dos pneus dentro do custo total da frota. É a métrica que conecta a gestão de pneus à gestão financeira da operação.
De forma geral, o mercado referencia que pneus representam entre 8% e 20% do custo operacional de uma frota rodoviária de cargas, uma variação que reflete diretamente o nível de maturidade da gestão. Frotas com controle estruturado tendem a operar mais próximas do limite inferior.
Frequência de manutenção de pneus em rota (socorro)
Mede quantas vezes, por período, um veículo precisa de atendimento de pneu durante a rota por causa de furo, estouro ou perda de pressão. É o indicador mais visível da falta de prevenção: cada socorro em rota é uma falha que poderia ter sido antecipada com aferição, rodízio ou troca programada.
Onde buscar referências de mercado
As fontes disponíveis de benchmark para gestão de pneus no Brasil têm limitações que o gestor precisa conhecer para usar os dados com o contexto adequado.
Fabricantes de pneus, por exemplo, publicam dados de desempenho, durabilidade e CPK esperado.
São referências úteis, mas carregam viés comercial, já que os números geralmente refletem condições ideais de uso, não a realidade média das operações brasileiras, com estradas em condições variáveis, cargas nem sempre dentro do limite e manutenção mecânica que nem sempre acompanha o desgaste do pneu.
Entidades setoriais como CNT e ANTT oferecem dados macro sobre transporte rodoviário, incluindo informações sobre condições de frota e infraestrutura. São úteis para contexto geral, mas não costumam trazer o nível de detalhe necessário para benchmark de gestão de pneus.
Outra opção são os estudos acadêmicos e técnicos sobre gestão de pneus em frotas, mas estes geralmente são baseados em estudos de caso individuais, com amostras pequenas e contextos específicos. Ajudam a entender metodologias e parâmetros, mas não formam uma base de referência ampla.
O benchmark mais valioso (e menos acessível) vem de quem opera no dia a dia.
Dados agregados de operações reais, com volume estatístico relevante, segmentados por porte de frota, perfil de rota e nível de maturidade da gestão, são o tipo de referência que transforma a gestão de pneus em decisão baseada em dados de verdade.
Como fazer o autodiagnóstico da sua operação
Mesmo sem ter acesso a todos os benchmarks de mercado, o gestor pode (e deve) fazer um autodiagnóstico estruturado. O processo é simples e segue três passos:
1 – Levante seus próprios números
Se a operação já tem um sistema de gestão de pneus rodando, os dados provavelmente existem, a questão é extraí-los e organizá-los.
Isso inclui: CPK médio por marca e modelo, taxa de recapagem dos últimos 12 meses, índice de descarte prematuro com motivos, custo de pneus como percentual do custo operacional e frequência de socorros em rota.
Se algum desses números não está disponível, este já é um diagnóstico em si.
2 – Compare com as referências
Use as faixas apresentadas neste texto como ponto de partida. Identifique onde seus indicadores estão dentro da referência e onde estão fora. Não é preciso que todos estejam na faixa ideal, o objetivo é identificar as maiores distâncias.
3 – Priorize onde a distância é maior
Se o CPK está dentro da referência mas o índice de descarte prematuro está o dobro, o esforço inicial deve focar em entender por que os pneus estão saindo antes da hora. Se a taxa de recapagem está muito abaixo da média, o problema pode estar na seleção de marcas, na qualidade dos serviços de borracharia ou na conservação das carcaças.
Para frotas que ainda não têm esses dados organizados, o primeiro passo é estruturar a coleta e isso começa pela gestão de pneus na borracharia, onde cada aferição, movimentação e descarte precisa ser registrado de forma consistente.
Agora, converse com um especialista da Prolog e veja como estruturar a gestão de pneus da sua operação com dados reais.