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Logística no Brasil: desafios e como encarar

Jade Zart Jade Zart 4 min de leitura
Logística no Brasil: desafios e como encarar

A logística no Brasil é frequentemente associada a desafios, especialmente nas operações que dependem do transporte rodoviário. Esses desafios não impedem uma boa prestação de serviço, mas exigem planejamento compatível com a rota, a carga, a frota e a capacidade de cada empresa.

Quando a operação está preparada, é possível buscar preço, prazo e atendimento coerentes com o serviço contratado. Para isso, gestores precisam conhecer as limitações da cadeia e transformar ocorrências em informações que possam orientar a próxima decisão.

Situação em 2021

Esta seção registra o contexto em que o artigo foi publicado. Durante a pandemia, o transporte de cargas cresceu e, em 2021, manteve ritmo elevado. De janeiro a abril daquele ano, foram R$ 3 trilhões movimentados, conforme o relatório Índice da Movimentação de Cargas do Brasil da AT&M.

O crescimento do comércio eletrônico naquele período aumentou a pressão sobre o transporte de cargas e tornou mais visível o papel dos operadores logísticos. O dado histórico ajuda a entender o cenário de 2021, mas não deve ser usado como retrato automático da demanda atual.

Operadores logísticos oferecem não apenas o transporte, mas também a gestão de partes da cadeia. As transportadoras podem participar de estratégias de entrega, escolher horários e dias viáveis para otimizar a operação e, conforme o modelo de negócio, cuidar também de armazenagem.

Com o crescimento da atividade, desafios e problemas da logística no Brasil ficam mais evidentes. A resposta não é a mesma para todas as empresas: depende de infraestrutura, tipo de carga, região atendida, contratos e recursos disponíveis.

Maiores desafios da logística no Brasil

Um dos desafios está na dependência do transporte rodoviário e nas condições da infraestrutura. A qualidade da estrada, a rota escolhida, a carga e a manutenção do veículo influenciam custos, segurança e previsibilidade; por isso, precisam ser considerados juntos no planejamento.

Estradas precárias podem aumentar o desgaste de veículos e pneus e elevar o custo do transporte. Não é prudente usar médias genéricas de durabilidade de pneus para definir a expectativa da frota: modelo, aplicação, carga, pressão, pavimento e rotina de manutenção mudam o resultado de cada operação. Para acompanhar esse impacto no planejamento, também vale observar as condições das rodovias brasileiras que fazem parte da operação.

Além disso, a adoção de tecnologias não é uniforme entre empresas de transporte. A ferramenta só gera valor quando se encaixa no processo, tem responsáveis definidos e produz registros que a equipe consegue conferir e usar.

Outra dificuldade está em manter o cliente informado sem assumir prazos que a operação não consegue cumprir. Previsões de demanda, integração entre sistemas e comunicação sobre ocorrências podem apoiar esse trabalho, desde que a informação compartilhada seja atualizada e verificável.

Como encarar os problemas

Um primeiro passo é escolher tecnologias e rotinas que resolvam problemas concretos. A empresa não controla as condições das estradas, mas pode organizar inspeções, manutenção e planejamento para conservar melhor os veículos da frota e reagir mais cedo a uma anomalia.

Isso envolve tanto inspeções veiculares quanto roteirização. Antes de adotar uma nova ferramenta, defina o dado que será coletado, quem confere a informação e qual decisão será tomada a partir dela.

Existem exemplos de operações que ajustam trajetos para reduzir esperas ou manobras difíceis. Eles servem como hipótese para análise, não como regra universal: um caminho mais longo pode aumentar custos, tempo ou risco em outra realidade.

Mesmo quando um trajeto alternativo parece vantajoso, é preciso comparar distância, pedágios, tempo de espera, condições da via e requisitos de atendimento. A economia só pode ser confirmada depois de medida no contexto da própria frota.

Tecnologia e dados podem apoiar uma operação de transportes mais organizada quando permitem registrar demandas, condições dos veículos e custos por etapa. O objetivo é tomar decisões informadas, sem transformar previsões ou indicadores em certezas.

Assim, informações sobre demanda, inspeções, cargas e custos podem ajudar a empresa a buscar reduções de desperdício e melhorar o planejamento. O acompanhamento deve mostrar também o que não funcionou, para que o processo seja revisto.

O surgimento das logtechs

As logtechs são empresas de tecnologia, muitas delas startups, voltadas a demandas do setor logístico. Há soluções para rastreamento e monitoramento de veículos e cargas, checklist eletrônico de inspeção de veículos, cálculo e marketplace de fretes, gestão de pneus e outras atividades.

Como essas soluções costumam atender a questões específicas, uma empresa pode usar mais de uma ferramenta. A integração precisa ser pensada para que cadastros, responsáveis e informações de cada sistema sejam compatíveis; centralizar dados sem critério pode apenas concentrar inconsistências.

Operadores logísticos que fazem estoque, transporte, armazenagem e distribuição precisam fazer essas etapas conversarem entre si. O ganho está em tornar dependências visíveis e coordenar decisões, não em supor que uma única plataforma resolve toda a operação.

As logtechs ganharam espaço ao propor recursos para agilizar e organizar etapas do setor. Ao avaliar uma solução, considere o problema que ela resolve, o esforço de implantação, a qualidade dos dados e como o resultado será medido depois da adoção.

Quer saber ainda mais sobre logtechs? Confira o webinar que realizamos em parceria com a Fretefy e já aproveita para se inscrever no nosso canal do YouTube.

Perguntas frequentes

Quais são os maiores desafios da logística no Brasil?

Entre eles está a dependência do modal rodoviário somada às condições de infraestrutura — estrada, rota escolhida, carga e manutenção do veículo pesam juntos sobre custo, segurança e previsibilidade. Outro é a tecnologia, cuja adoção varia muito de uma transportadora para outra. Há ainda a dificuldade de informar o cliente sem se comprometer com prazos inviáveis. Como a resposta muda conforme infraestrutura, tipo de carga, região, contratos e recursos, não existe uma solução única para todas as empresas.

Como as estradas precárias afetam o custo do transporte?

Uma via em más condições pode acelerar o desgaste de pneus e veículos e, com isso, elevar o custo do transporte. Por esse motivo, aplicar uma média genérica de durabilidade de pneu à frota não é prudente: o resultado de cada operação depende do modelo e da aplicação do pneu, da carga, da pressão, do pavimento e da rotina de manutenção. A empresa não decide o estado da estrada, mas decide como organiza inspeção, manutenção e planejamento para preservar os veículos e reagir mais cedo a uma anomalia.

O que são logtechs?

Empresas de tecnologia — muitas delas startups — que atendem demandas específicas do setor logístico, com soluções como checklist eletrônico para inspeção veicular, cálculo e marketplace de frete e gestão de pneus, entre outras. Como cada solução costuma resolver uma questão pontual, uma empresa pode combinar mais de uma ferramenta. Nesse caso, a integração tem de ser planejada para que cadastros, responsáveis e dados de cada sistema sejam compatíveis; juntar dados sem critério pode só acumular inconsistências.

Como estava o transporte de cargas no Brasil em 2021?

Em ritmo elevado. O setor cresceu na pandemia e, entre janeiro e abril de 2021, movimentou R$ 3 trilhões, de acordo com o Índice da Movimentação de Cargas do Brasil, relatório da AT&M. A expansão do comércio eletrônico naquele momento pressionou o transporte e evidenciou o papel dos operadores logísticos. Trata-se de um registro histórico, útil para entender aquele contexto, e não de uma fotografia da demanda de hoje.

Mudar a rota reduz custos na logística?

Depende, e só a medição responde. Há operações que alteram trajetos para diminuir esperas ou evitar manobras difíceis, mas isso serve como hipótese a testar, não como regra: em outra realidade, o caminho mais longo pode custar mais em dinheiro, tempo ou risco. Antes de trocar a rota, compare distância, pedágios, espera, condições da via e exigências de atendimento. A economia só existe depois de confirmada nos números da própria frota.

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