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Gestão de manutenção de frotas

TPM no transporte: o que é a manutenção produtiva total

Luiz Felipe Luiz Felipe 9 min de leitura
TPM no transporte: o que é a manutenção produtiva total

A manutenção produtiva total é um método de gestão de manutenção que pode ser aplicado nas indústrias e empresas de transporte.

Ela traz diferentes metas e pilares para serem desenvolvidos dentro da operação de transporte com a intenção de transformar a manutenção em um processo mais prático e produtivo.

Entenda melhor:

O que é a manutenção produtiva total (TPM)?

A sigla “TPM” é do inglês “Total Productive Maintenance” e traduzida para o português, significa “Manutenção Produtiva Total”. Trata-se de um conjunto de ações e estratégias para o setor de manutenção ter melhores resultados.

O método tem origem conhecida: foi proposto em 1971 pelo JIPM (Japan Institute of Plant Maintenance), a associação japonesa de manutenção industrial que formula e publica a sua definição. Vale ter essa referência à mão, porque circula bastante variação de nomenclatura sobre o assunto — e a própria entidade registra que os nomes e a quantidade de pilares podem mudar de uma empresa para outra.

Essas melhorias podem estar relacionadas à disponibilidade dos veículos, o desempenho deles na estrada ou a quantidade de serviços de manutenção que ocorrem em um determinado período.

Ela é muito conhecida e utilizada em fábricas e indústrias, porém, tem se tornando mais popular e está começando a ser aplicada em frotas de veículos para o transporte também. Afinal, os caminhões são veículos pesados e que, em muitos aspectos, se assemelham às máquinas utilizadas no setor industrial.

A transposição, porém, não é automática. Na indústria, o equipamento fica dentro da fábrica, sob os olhos de quem o opera todos os dias; numa frota, o “equipamento” passa a maior parte do tempo longe da base, com um motorista que não é mecânico. É o que dá peso especial, no transporte, a dois pontos do método: a manutenção autônoma e o registro do que se observa no veículo.

Qual o objetivo da manutenção produtiva total?

A principal característica da manutenção produtiva total (tpm) é eliminar as perdas da frota, como: quebras veiculares, tempo de inspeção e ociosidade da frota.

Na definição publicada pelo JIPM, o TPM persegue a eficiência máxima do sistema produtivo, considerado ao longo de todo o seu ciclo de vida, construindo no próprio local de trabalho um sistema que previna antecipadamente toda espécie de perda — com as metas de “zero acidentes, zero defeitos e zero falhas” — e com a participação de todos, da direção à linha de frente, em todos os setores, e não apenas na produção: desenvolvimento, comercial e administrativo inclusive.

Duas leituras dessa definição ajudam a calibrar a expectativa. A primeira é que “zero” aparece como direção de trabalho, não como promessa de resultado. A segunda é que, se o método pede a participação de todos os setores, um programa de TPM restrito à oficina cobre só uma parte do que a definição descreve.

Quais as principais metas da manutenção produtiva total?

Aumentar a eficiência operacional

A eficiência operacional de uma frota depende, em grande parte, do bom funcionamento dos veículos.

Por isso, a manutenção produtiva total visa uma organização e planejamento de manutenções para que os veículos estejam sempre disponíveis, evitando atrasos nas entregas e perda de qualidade nas operações da frota.

Incentivar a manutenção autônoma na frota

A manutenção autônoma dá mais liberdade para que os motoristas assumam pequenos consertos do veículo. Um trabalho mais simples, como a troca de óleo do motor, pode ser realizada pelo motorista, desde que este seja devidamente qualificado e apto a realizar a atividade.

Isso gera maior agilidade e aumenta a produtividade de suas operações.

A condição destacada acima não é detalhe de redação. Sem qualificação, sem uma lista do que está e do que não está autorizado e sem um canal para registrar o que foi feito, a manutenção autônoma tende a virar serviço não rastreado — e o histórico do veículo, que alimenta todo o resto do método, fica com lacunas.

Gerenciar os veículos da aquisição à renovação

A gestão de veículos da frota começa antes mesmo de eles serem adquiridos na operação, pois, até chegar esse momento, o gestor ainda deve avaliar as características de cada modelo a fim de entender qual é a melhor alternativa para a sua frota.

Quando aplicada a Manutenção Produtiva Total, uma de suas metas é que o veículo seja acompanhado do início ao fim — seja o seu descarte realizado por uma perda total ou apenas pela renovação de um modelo mais moderno e econômico.

Planejar as manutenções da frota com mais eficiência

Parte do que a manutenção produtiva total propõe é que as pequenas manutenções aconteçam de maneira direta pelo motorista responsável.

Por outro lado, sua proposta é de que tecnologias sejam aplicadas para otimizar a detecção de problemas, sendo já programados os serviços de manutenção necessários com antecedência.

Assim, os benefícios gerados são um aumento na durabilidade dos veículos e a redução dos custos de manutenção.

Por que a TPM nas frotas é importante?

Os benefícios que a manutenção produtiva total consegue gerar impactam diretamente a gestão da frota como um todo:

  • Ajuda a reduzir custos de manutenção;
  • Melhora as condições de rodagem dos veículos;
  • Aumenta a segurança no transporte;
  • Evita as manutenções corretivas, mais demoradas e de alto valor para a frota;
  • Reduz as perdas da frota: de veículos, de tempo e de dinheiro;
  • Promove a autogestão da equipe.

Uma ressalva sobre o quarto item: nenhum método elimina a corretiva por completo. O que o TPM propõe é que ela deixe de ser a regra e volte a ser exceção, tratada como sinal de que alguma causa ainda não foi resolvida.

Confira no vídeo:

Como funciona a manutenção TPM?

A manutenção produtiva total funciona através de seus pilares — os eixos de trabalho em que o programa se organiza. A lista publicada pelo JIPM traz oito: quatro deles são apresentados como diretamente ligados à redução de perdas (melhoria específica, manutenção autônoma, manutenção planejada e manutenção da qualidade), dois como necessários para implantar o programa (educação e treinamento; segurança, higiene e meio ambiente) e outros dois como pilares que cada empresa ou planta pode acrescentar e ajustar (gestão inicial dos equipamentos; administração e áreas indiretas).

A ordem em que eles aparecem a seguir é a de leitura para quem gere frota, e não a da lista original.

Quais são os pilares da manutenção produtiva total?

  1. Manutenção da qualidade

A utilização de tecnologias e novos métodos de gestão contribuem para que cada tarefa seja executada com maior qualidade e precisão. Além disso, as ferramentas digitais facilitam a coleta de dados para análise — fundamental na era de gestão baseada em dados.

Na frota, esse pilar cabe em uma pergunta difícil de responder sem registro: o serviço executado resolveu o problema? Um mesmo componente que volta à oficina várias vezes em pouco tempo é um sinal para investigar a qualidade do reparo, e não apenas a peça.

  1. Manutenção planejada

Há muitos anos, o mais comum era esperar o veículo sofrer algum dano e mandá-lo para a oficina.

Com a evolução do setor de gestão de manutenção e das tecnologias utilizadas, percebe-se que isso leva a custos mais elevados de manutenção, além da perda de eficiência, produtividade e redução na vida útil dos veículos.

Por esses motivos, o planejamento de manutenções através da análise dos dados da operação está se transformando em uma etapa fundamental das frotas de transporte.

  1. Manutenção autônoma

Esse tipo de manutenção nas frotas dá liberdade aos motoristas para que lidem com maior responsabilidade com seus veículos. Ou seja, ele passa a atuar em mais frentes, não apenas na condução e inspeção diária de seu caminhão.

Nesse modelo, ele lida com as tarefas desde a limpeza até pequenos consertos.

  1. Melhorias específicas

As melhorias específicas são identificadas conforme a análise das rotinas e resultados obtidos com a gestão de manutenção da frota. Esse é o pilar da manutenção produtiva total que foca na eficiência operacional.

Costuma ser também o pilar que dá ritmo ao programa: em vez de uma reforma geral do processo, ataca-se uma perda por vez, escolhida pelo tamanho, com começo, meio e verificação do resultado.

  1. Educação e treinamento

A qualificação dos colaboradores deve acontecer continuamente para você conseguir garantir o melhor uso dos veículos e realização de serviços.

Principalmente por conta do pilar de manutenção autônoma, é preciso sempre atualizar os conhecimentos dos colaboradores e avaliar os resultados e desempenho de cada um. Assim, terá parâmetros para definir novas metas e saberá quais os próximos treinamentos a oferecer.

  1. Áreas administrativas

Ter boas metodologias de gestão e garantir que os processos ocorram sem problemas é fundamental para que setores específicos, como o da manutenção, funcionem adequadamente.

Portanto, além de ter a sua parte operacional otimizada e em pleno funcionamento, a etapa administrativa e burocrática também deve estar bem resolvida. Isso inclui a gestão de finanças, de pessoas e disponibilização de orçamentos, por exemplo.

  1. Segurança, higiene e meio ambiente

Garantir um ambiente de trabalho seguro e fazer a gestão de riscos no transporte contribui para que a produtividade seja maximizada. Além disso, manter os ambientes e veículos limpos ajuda a incentivar e engajar os colaboradores da frota.

  1. Gestão inicial dos equipamentos

É o oitavo item da lista do JIPM e não aparece entre os sete descritos acima. O nome, traduzido de forma literal, é “gestão da fase inicial do equipamento” — o que, no transporte, remete à etapa que antecede a operação do veículo: especificação, compra e entrada na frota.

Na prática, é o pilar que conversa diretamente com a meta de acompanhar o veículo da aquisição à renovação, descrita mais acima. Configuração do veículo, escolha de pneus, disponibilidade de peças na região em que ele vai rodar e rede de assistência técnica são decisões tomadas antes do primeiro quilômetro e que pesam no custo de manutenção dos anos seguintes.

Em qualquer um dos pilares, o denominador comum é o mesmo: é importante que todos saibam o que faz parte de suas funções e com que frequência devem realizar cada tarefa. A implementação da manutenção produtiva total na sua operação é o caminho para organizar todas essas questões.

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Perguntas frequentes

O que é TPM no transporte?

TPM, sigla de Total Productive Maintenance, é um método de gestão de manutenção criado para a indústria e que começa a ser aplicado em frotas de transporte, já que caminhões são veículos pesados que em muitos aspectos lembram máquinas industriais. A transposição não é automática: diferentemente da fábrica, o veículo fica quase sempre distante da base, operado por alguém que não é mecânico, o que dá peso à manutenção autônoma e ao registro.

Qual é o objetivo da manutenção produtiva total?

Eliminar perdas da frota: quebras, tempo gasto em inspeção e veículos ociosos. Na definição do JIPM, o método persegue a eficiência máxima do sistema produtivo ao longo do ciclo de vida, mirando zero acidentes, zero defeitos e zero falhas, com participação de todos os setores. Esse zero é uma direção de trabalho, não uma promessa de resultado, e um programa restrito à oficina cobre só parte da definição.

Quais são os 8 pilares da manutenção produtiva total?

A lista do JIPM traz oito. Melhoria específica, manutenção autônoma, manutenção planejada e, por fim, manutenção da qualidade formam o grupo ligado à redução de perdas. Educação e treinamento, junto de segurança, higiene e meio ambiente, são os dois apresentados como necessários para implantar o programa. Gestão inicial dos equipamentos e administração e áreas indiretas são os dois que cada empresa pode acrescentar e ajustar. A própria entidade registra que nomes e quantidade de pilares podem variar entre empresas.

O que é manutenção autônoma na frota?

É o pilar que dá aos motoristas mais responsabilidade sobre seus veículos, indo além da condução e da inspeção diária: da limpeza a pequenos consertos. Um serviço simples, a exemplo de trocar o óleo do motor, pode ficar com o motorista, desde que ele seja devidamente qualificado e apto. Sem qualificação, lista do que é autorizado e canal de registro, tende a virar serviço não rastreado, deixando lacunas no histórico.

Quais são os benefícios do TPM nas frotas?

Ajuda a reduzir os custos de manutenção, deixa os veículos em melhores condições de rodagem, mais segurança no transporte, menos corretivas demoradas e caras, menos perdas de veículos, tempo e dinheiro e uma equipe que se autogerencia. Vale a ressalva de que nenhum método elimina a corretiva por completo: a proposta é que ela deixe de ser regra e passe a ser exceção, lida como sinal de uma causa ainda não resolvida.

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